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Depois de uma década apostando na conclusão das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil decide buscar uma nova estratégia e lança a ideia do estabelecimento do maior bloco comercial e político do Hemisfério Sul. O plano, que foi revelado ao Estado será oficializado amanhã em Genebra, visa iniciar a liberalização dos mercados entre o Mercosul, Índia e os países do Sul do continente africano.
A iniciativa também servirá como um recado político aos países ricos, já que os obstáculos para a conclusão da Rodada Doha seriam a falta de vontade política do governo americano e europeu de ampliar suas concessões no setor agrícola.
Sem uma perspectiva para a Rodada, lançada em 2001, a nova iniciativa servirá para cortar tarifas entre os produtos comercializados entre os três blocos e ainda estabelecer um acordo de investimentos entre os países. O grupo ainda servirá para coordenar posições políticas em fóruns multilaterais.
Dados oficiais da OMC indicam que o comércio entre países emergentes já chega a US$ 2,7 trilhões por ano e que representa quase metade de tudo o que essas economias hoje vendem ao exterior. Grande parte, porém, vem da China que não faz parte do novo tratado.
O Mercosul já conta com um acordo com a Índia, mas com um número ainda limitado de produtos que podem ser comercializados a tarifas mais baixas. Ontem, em Genebra, ativistas indianos acusavam os produtos brasileiros no setor agrícola de estar gerando prejuízos ao país.
Agora, a ideia é a de ampliar o acordo entre os três continentes, reunindo também os membros da União Aduaneira da África Austral (África do Sul, Botsuana, Lesoto, Suazilândia e Namíbia). Mas fontes sul-africanas admitem que não há ainda sequer uma data para a conclusão do acordo.
Esse não é o único projeto de liberalização que o Brasil espera concluir nos próximos dias. Na quarta-feira, cerca de 20 países emergentes estabelecerão uma base para o corte de 20% em suas tarifas. Chile, México, Colômbia, Venezuela, África do Sul, Tailândia, China e vários outros não farão parte da iniciativa.
Se o impacto comercial do acordo é limitado, a esperança do Brasil é de que o sinal político seja claro de que está na hora de seguir com tratados comerciais, mesmo sem a presença dos países ricos.
Para 2010, o Brasil também busca uma reaproximação à Europa em um acordo bilateral entre o Mercosul e a UE que estava no congelador desde 2004. Mariann Fischer Boel, comissária Agrícola da UE, indicou ao Estado que Bruxelas dificilmente abriria seu mercado ao Mercosul sem antes saber o que ocorrerá na OMC.
Nos projetos brasileiros, há pelo menos um grande ausente: a China. O país deve terminar o ano como o maior exportador do mundo e optou por ficar de fora dos projetos de liberalização com outros países emergentes. "Não vamos fazer parte dessa iniciativa", afirmou Sun Zhenyu, embaixador da China na OMC.
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