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Para gerentes, crise global afasta turistas da F-1 das boates de SP PDF Imprimir E-mail
Escrito por Gazeta   
Sex, 16 de Outubro de 2009 12:58

A Fórmula 1 já não alimenta mais os motores da noite paulistana como em anos anteriores. De acordo com as boates de São Paulo, que dependem da presença de turistas para “bombar”, o evento não reflete mais no movimento das casas noturnas. Os night clubs dizem que os homens não estão procurando tanto “divertimento forte” por conta da crise financeira global e da desvalorização do dólar.

Segundo estimativa da São Paulo Turismo (SPTuris), o circo da F-1 atrairá pelo menos 90 mil turistas - de várias partes do país e estrangeiros - à cidade este ano, entre quinta-feira (15) e domingo (18), dia da corrida. Esse exército deixaria na cidade a bolada de 100 milhões de euros (cerca de R$ 253,9 milhões).

As baladas “hardcore” mais conhecidas da capital não parecem ferver como esperado, e o faturamento, segundo os estabelecimentos, não é animador.

De olho no lucro que os turistas podem deixar numa noitada, algumas casas capricharam no visual, baixaram preços, investiram em atrações exóticas, apresentações eróticas, em shows e convidaram mais mulheres. Mas o resultado ainda é frustrante para boa parte dos “inferninhos”

'Turistas não estão gastando'

“Mas onde estão os turistas?”, reclamam Santos e Carvalho, gerentes do Romanza, tradicional boate da Zona Sul. Na calçada, ambos estavam frustrados com o sumiço dos clientes que antes faziam um pit-stop no lugar para uma boa farra. “A casa está cheia ... de mulheres, mas nenhum homem”, exagerou Santos. Para o negócio, esse cenário não é o paraíso, pois sem homens ninguém consome; nem eles, tampouco elas, que estão lá justamente para forçar a gastança dos clientes.

Os gerentes dizem que a quinta-feira que antecedeu a corrida de F-1 de 2008 foi “poderosa”, um sucesso de público. “A boate bombou naquela ocasião. Pelo menos 800 homens passaram por aqui por noite. Foi um absurdo! Não havia lugar para estacionar, filas para tudo”, recorda Santos. “Este ano, a queda no movimento será perto de 90%”, prevê. “Desta vez, os turistas não estão gastando, pois o dólar perdeu força e não compra tanto como antes. É a crise mundial”, diz.

Carvalho afirmou que a casa noturna se preparou para receber 5 mil pessoas até domingo: reforçou o estoque de bebida e contratou um grupo de mulatas para comandar as noitadas. “Estrangeiro gosta é de mulata! Mas onde estão os gringos? Aqui não entrou nenhum”, lamenta. 

'Antes, movimento triplicava'

Moacir Bianchi, de 41 anos, gerente do My Love, no Centro, com capacidade para 200 pessoas, afirmou que “acabou a época em que a F-1 ajudava a encher boates e inferninhos. “Na época do Ayrton Senna (até 94), o movimento da casa triplicava a semana inteiramente. Agora, só sexta e sábado é que a noite é um pouco melhor”.

 

A boate, que não está entre as maiores de São Paulo, foi decorada com bandeiras das marcas da F-1, e, de olho nos dólares que podem estar circulando na cidade este mês, apostou em shows de mulatas ao longo da semana. Mas não viu resultados. “Desta vez, os estrangeiros não vieram por causa da crise internacional”, culpa.

Na “Kilt”, outro agitado night club também localizado na região central, um funcionário disse que a F-1 não mudou a rotina da casa. “É como se São Paulo não tivesse evento algum desse porte. É uma semana normal para nós”, afirma. “Aquela crise do ano passado está refletindo agora, com poucos gringos na cidade”, acrescentou.

Uma das mais sofisticadas - e caras - casas noturnas paulistana, o Café Photo parecia lotado na madrugada desta sexta-feira (16). Na frente da boate, belíssimas mulheres. Lá dentro, todo mundo sabe, as máquinas são poderosas. O estabelecimento, no entanto, não investiu nada para atrair o público da F-1. “Não há alterações significativas que justifiquem mudanças na casa. Nosso público é cativo”, informou um gerente.

 

Taxista

O taxista Marcelo Luperini, de 31 anos e 12 de profissão, com ponto estabelecido num dos hotéis usados pela organização da F-1, confirmou que os dias de Grande Prêmio Brasil de F-1 não são mais os mesmos, nem tão lucrativos. “Há alguns anos, trabalhávamos 24 horas sem parar. Era gente para lá e para cá. Desde o ano passado não há tantos chamados. No máximo, trabalho algumas horas a mais no sábado e domingo”.

Do G1

 

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